Segunda edição do Conversas do Fórum reuniu especialistas para discutir o avanço dos eventos extremos, o gap de proteção no Brasil e o papel da tecnologia, da distribuição, das seguradoras e do resseguro.
O avanço dos eventos climáticos extremos e a necessidade de ampliar a proteção da sociedade estiveram no centro dos debates da segunda edição do Conversas do Fórum, realizada pelo Fórum Mário Petrelli de Fomento do Mercado de Seguros, no dia 19 de agosto, em São Paulo.
Com o tema “O futuro do seguro frente às catástrofes e aos eventos climáticos”, o encontro reuniu representantes de diferentes segmentos do mercado para discutir os desafios impostos pela maior frequência e severidade de fenômenos como enchentes, secas, incêndios e tempestades, além dos caminhos para reduzir o ainda elevado gap de proteção existente no País.
A programação teve início com palestra de Dario Luna Pla, Líder Regional de Soluções Estratégicas de Resseguro da Lockton Re para a América Latina e o Caribe. Com experiência na estruturação de soluções para gestão de riscos de desastres e seguros paramétricos, o executivo apresentou uma perspectiva sobre como novas tecnologias podem transformar a capacidade do mercado de proteger pessoas, empresas e governos.
Para Pla, uma das principais mudanças deverá ocorrer justamente na utilização crescente de dados e recursos tecnológicos para ampliar o alcance das coberturas.

“O que podemos esperar na proteção climática no futuro é muito maior uso de tecnologia, tecnologias de satélite, tecnologias de sensores que são instaladas para cobrir territórios muito maiores do que antes não era possível, a custos muito mais eficientes. Essa tecnologia será adotada dentro dos produtos de seguros e do trabalho das seguradoras, tanto nacionais quanto estrangeiras, para poder oferecer proteções mais baratas e de muito mais alcance para empresas, governos e pessoas”, afirmou.
A discussão ganha relevância diante de um cenário em que grandes perdas provocadas por eventos climáticos ainda permanecem sem cobertura securitária. Nesse contexto, o desenvolvimento de soluções capazes de combinar tecnologia, modelagem de riscos, prevenção e capacidade de resseguro pode contribuir para tornar a proteção mais acessível e alcançar públicos e regiões atualmente pouco atendidos.
Após a palestra, o Painel 1 abordou a perspectiva da distribuição de seguros para catástrofes. O debate colocou em evidência o papel dos profissionais que estão próximos de consumidores e empresas na identificação das exposições, na orientação sobre prevenção e na construção de uma maior percepção sobre a importância da proteção securitária.
Para os corretores de seguros, o tema representa também um campo crescente de atuação. À medida que riscos antes considerados excepcionais passam a fazer parte da realidade de famílias e empresas, aumenta a necessidade de uma análise mais cuidadosa das coberturas existentes e da exposição dos clientes aos eventos climáticos.
Já o Painel 2 apresentou a visão das seguradoras e resseguradoras em relação à proteção contra eventos catastróficos, trazendo para o debate questões relacionadas à capacidade do mercado, desenvolvimento de produtos, precificação e novas alternativas para enfrentar riscos de grande magnitude.
Ao reunir distribuição, seguradoras, resseguradoras e especialistas em torno do mesmo debate, a segunda edição do Conversas do Fórum reforçou uma questão que tende a ocupar espaço cada vez maior na agenda do setor: diante de uma realidade climática em transformação, ampliar a proteção securitária exigirá inovação, conhecimento técnico e maior aproximação entre todos os elos do mercado.


