O avanço da inteligência artificial nas empresas já ultrapassou o campo experimental e passa a impactar diretamente a produtividade. Com base em estudos da Juniper Research, sistemas como chatbots já conseguem resolver até 80% das interações em atendimentos estruturados, sem necessidade de intervenção humana, operando de forma contínua e em larga escala.
Esse movimento impulsiona a criação dos chamados “funcionários de IA”, estruturas digitais capazes de executar tarefas operacionais em áreas como atendimento, vendas e processos internos.

Para Rafael Franco, CEO da Alphacode, empresa responsável por soluções digitais para marcas como Habib’s, Madero e China In Box, essa transformação já altera a forma como as empresas estruturam suas equipes. “A IA deixou de ser apoio e passou a assumir funções específicas dentro da operação. Hoje, ela executa tarefas repetitivas com escala e precisão que seriam inviáveis apenas com equipes humanas”, afirma.
A incorporação dessas soluções ocorre principalmente por meio de aplicativos, plataformas integradas e fluxos automatizados que organizam tanto a jornada do cliente quanto os processos internos.
Segundo o executivo, o uso prático vai além do atendimento. “Estamos falando de automação de cadastros, análise de dados, envio de comunicações, recomendações personalizadas e até apoio à tomada de decisão com base em comportamento. Isso libera o time humano para atuar de forma mais estratégica”, explica.
Para o corretor de seguros, esse cenário já começa a se traduzir em aplicações concretas no dia a dia, como automação de cotações iniciais, triagem de leads, envio de propostas e acompanhamento de renovações, atividades que consomem tempo operacional e limitam a escala da carteira.
A lógica por trás desse modelo é a da operação híbrida, na qual humanos e sistemas inteligentes atuam de forma complementar. Em projetos desenvolvidos pela Alphacode, essa integração já permite escalar operações sem aumento proporcional de equipe, além de reduzir erros e retrabalho.
“A empresa não substitui pessoas de forma indiscriminada, ela reorganiza funções. A IA assume o operacional e o humano passa a atuar onde há análise, criatividade e relacionamento”, afirma Franco.
No contexto das corretoras, isso reforça uma mudança importante de posicionamento: o corretor deixa de ser apenas operacional e passa a atuar de forma mais consultiva, focando na orientação do cliente, análise de riscos e construção de soluções mais adequadas.
O impacto direto também aparece nos custos e na eficiência. Sistemas automatizados reduzem tempo de resposta, aumentam a capacidade de atendimento simultâneo e geram dados estruturados para decisões mais rápidas.
“Quando a operação passa a ser orientada por dados, a empresa ganha previsibilidade. Isso melhora o desempenho financeiro e a experiência do cliente ao mesmo tempo”, destaca o executivo.
Apesar dos ganhos, a implementação exige planejamento. A adoção acelerada sem estrutura pode gerar ruídos operacionais e resistência interna. Segundo Franco, o erro mais comum está na tentativa de automatizar tudo de uma vez. “A tecnologia precisa ser integrada à realidade do negócio. Automatizar sem estratégia pode criar mais problemas do que soluções”, alerta.
Como estruturar o uso de IA nas empresas
O especialista aponta sete práticas para estruturar o uso de “funcionários de IA” com foco em produtividade:
- Mapear tarefas operacionais repetitivas
- Começar por áreas de alto volume
- Integrar sistemas e dados
- Manter supervisão humana
- Escolher parceiros com experiência técnica
- Começar com projetos piloto
- Preparar a equipe para o novo modelo
Para corretores de seguros, esse processo tende a começar por frentes como atendimento inicial via WhatsApp, qualificação automática de clientes e organização da base de dados, etapas que costumam gerar gargalos operacionais.
Os desafios também envolvem adaptação cultural e capacitação das equipes. A mudança no modelo de trabalho exige o desenvolvimento de novas competências, voltadas à análise e gestão da tecnologia.
“A IA não elimina a necessidade de pessoas, ela muda o tipo de habilidade que a empresa precisa. Quem entende isso sai na frente”, afirma Franco.
No mercado de seguros, essa mudança já é percebida na valorização de corretores mais preparados para utilizar tecnologia no relacionamento com o cliente, interpretar dados e atuar de forma estratégica em um ambiente cada vez mais digital.
O avanço dos chamados “funcionários de IA” acompanha a digitalização dos negócios e tende a se intensificar nos próximos anos. Empresas que adotam esse modelo conseguem operar com mais eficiência, reduzir custos e responder com maior agilidade às demandas do mercado.
“A tecnologia já está disponível. O diferencial agora está em como cada empresa vai aplicar isso dentro da sua operação para gerar valor real”, conclui o executivo.


