O Congresso Minha Vida Protegida, realizado nos dias 6 e 7 de março em São Paulo, reuniu mais de 500 profissionais do mercado de seguros, planejamento financeiro e proteção patrimonial no Espaço Center 3, na Avenida Paulista. A primeira edição do evento teve como objetivo ampliar o debate sobre a cultura de proteção financeira no Brasil e fortalecer o papel consultivo dos corretores de seguros no planejamento das famílias.
Idealizado pelo corretor de seguros Rogério Araújo, fundador do Instituto Minha Vida Protegida, o congresso apresentou dois dias de programação técnica com especialistas do setor discutindo temas como seguro de vida, planejamento financeiro, previdência, sucessão patrimonial, reforma tributária, investimentos internacionais e tecnologia aplicada ao mercado segurador.
Na abertura do evento, Araújo destacou o impacto social do seguro de vida e a importância de ampliar o acesso das famílias brasileiras à proteção financeira.

“O seguro de vida tem um papel de transformação social no nosso país. Ele protege sonhos, projetos e ajuda a trazer estabilidade financeira para as famílias”, afirmou.
Um dos momentos mais marcantes do primeiro dia ocorreu quando o organizador apresentou a história de Marlene, diarista de Santa Catarina que cria sozinha o filho autista Rafael. O relato foi utilizado para ilustrar os desafios enfrentados por muitas famílias que não possuem planejamento financeiro estruturado. Ao final da apresentação, o movimento anunciou a entrega de uma apólice de seguro de vida para proteger a família, gesto que emocionou os participantes.
Segundo Araújo, iniciativas como essa reforçam o propósito do movimento. “Enquanto existirem famílias preocupadas com o futuro dos filhos e sem acesso à proteção financeira, nós precisamos trabalhar”, declarou.
Seguro de vida no centro do planejamento financeiro
Ao longo do primeiro dia, especialistas destacaram que o seguro de vida precisa ser compreendido como elemento central dentro da organização financeira das famílias.
Durante palestra sobre planejamento financeiro, Daniele Coelho afirmou que a proteção deve ser vista como estratégia estruturante. “Não existe planejamento financeiro sem seguro de vida. Ele não é apenas um produto, é uma estratégia”, afirmou.
A especialista Regiane Alves reforçou que o maior risco financeiro para uma família é a interrupção da renda. “Pouco importa a alocação dos investimentos se a pessoa não consegue mais gerar receita. O que sustenta todo o planejamento é a renda”, explicou.
O impacto econômico de doenças graves também foi abordado pelo especialista Elizeu Dias, que destacou a importância das coberturas em vida dentro das apólices. Segundo ele, além do impacto emocional, muitas famílias enfrentam forte pressão financeira quando um diagnóstico grave interrompe a capacidade de trabalho.
O tema também foi ilustrado com o depoimento de Anderson Mathias, que relatou a experiência vivida por sua família após o diagnóstico de câncer de sua mãe.
Outro tema sensível discutido foi o planejamento financeiro para famílias atípicas, apresentado pelo especialista Luiz Ricardo, pai de uma jovem com epilepsia grave e transtorno do espectro autista.
“Minha filha não terá autonomia financeira. Ela dependerá de mim e da mãe dela por toda a vida. Então a pergunta que eu faço é: como ficará a vida dela quando nós não estivermos mais aqui?”, afirmou.
Segundo ele, instrumentos como seguro de vida e previdência privada tornam-se fundamentais para garantir a continuidade dos cuidados no longo prazo.
Planejamento patrimonial e sucessório
A programação também abordou a importância de dimensionar corretamente as necessidades de proteção. O especialista Mateus Nicolau destacou que o papel do corretor é ajudar o cliente a compreender o impacto financeiro dos riscos.
“Seguro não protege carro, não protege celular e nem protege a vida. Seguro protege fluxo de caixa”, afirmou.
O tema do planejamento sucessório também esteve presente na programação. O especialista Tiago Melo destacou que o seguro de vida pode garantir liquidez imediata em processos de sucessão empresarial.
“Você pode ter o melhor advogado ou o melhor contador, mas quem entrega o cheque somos nós”, afirmou.
A discussão foi ampliada em um painel com a especialista Fernanda Onófrio, que abordou a integração entre planejamento jurídico, contábil e financeiro dentro das estratégias de sucessão patrimonial.
Previdência, tributação e planejamento financeiro
No segundo dia do congresso, os debates avançaram para temas ligados ao sistema previdenciário e à organização financeira de longo prazo.
O painel conduzido por Anderson Mathias e Luciano Tane discutiu a integração entre INSS, previdência privada, planejamento tributário e benefícios de renda como base de uma estratégia completa de proteção financeira.
Segundo Mathias, muitos profissionais ainda analisam o sistema previdenciário de forma superficial. “Antes de falar mal do INSS, precisamos entender que ele não é opcional. Ele oferece benefícios importantes, como renda por incapacidade e pensão por morte”, explicou.
Para Tane, a declaração de Imposto de Renda pode se tornar uma ferramenta valiosa de diagnóstico financeiro. “Na declaração de Imposto de Renda está praticamente toda a vida financeira do cliente. Quem aprende a ler esse documento passa a ter uma visão muito mais completa”, afirmou.
O especialista Ricardo Tarantella reforçou a importância de integrar proteção, controle de gastos e investimentos dentro de um planejamento estruturado de longo prazo.
“O planejamento financeiro é como a construção de um prédio. Primeiro vem a fundação, que ninguém vê. Essa fundação é a proteção: os seguros e a mitigação de riscos”, explicou.

Diversificação internacional e novas estratégias patrimoniais
A internacionalização do patrimônio também foi tema de debate no congresso. Durante palestra sobre investimentos no exterior, Marcelo Cantieri destacou que a diversificação geográfica deixou de ser uma estratégia restrita a grandes patrimônios.
Segundo ele, manter todo o capital concentrado no Brasil limita o acesso a oportunidades globais.
“O Brasil representa menos de 2% do mercado global de capitais. Quem mantém todo o patrimônio no país deixa de ter acesso a grande parte das oportunidades de investimento”, afirmou.
Nova Lei do Seguro reforça responsabilidade profissional
As mudanças trazidas pela Lei 15.040/2024, que institui o novo marco legal do contrato de seguros no Brasil, também foram analisadas durante o evento pelo advogado Landulfo Ferreira Jr.
Segundo ele, a nova legislação reconhece formalmente o papel técnico do corretor dentro da relação contratual e amplia suas responsabilidades profissionais.
“A informação não deve ser apenas transmitida ao consumidor. Ela também precisa ser compreendida. O corretor deve explicar coberturas, exclusões e limitações do contrato de forma clara”, afirmou.
Para a corretora e professora Dagliane Santos, a nova lei exige maior organização e registro das orientações prestadas ao cliente.
“O WhatsApp serve, o e-mail serve. O importante é manter registro das orientações prestadas”, explicou.
Tecnologia e inteligência artificial no mercado segurador
A programação também abordou o impacto da tecnologia e da inteligência artificial no setor. O especialista João Paulo Bottecchia destacou que a tecnologia deve ser utilizada para automatizar tarefas operacionais e ampliar a produtividade dos profissionais.
“A inteligência artificial não substitui confiança, empatia e responsabilidade. A responsabilidade continua sendo do profissional”, afirmou.
Segundo ele, o diferencial competitivo continuará sendo a capacidade de construir relacionamentos com os clientes.
“O mercado hoje é human to human: pessoas falando com pessoas.”
“O mercado é nosso”
O encerramento do congresso contou com a participação do presidente do Sincor-SP, Boris Ber, que destacou o potencial de crescimento do mercado de seguros no Brasil.
“Minha Vida Protegida é muito mais do que um congresso. É um projeto que reforça a importância do papel do corretor na sociedade”, afirmou.
Com mais de quatro décadas de atuação no setor, Boris ressaltou que o modelo de atuação do corretor evoluiu significativamente ao longo do tempo.
“Hoje o corretor precisa construir relacionamento e confiança para tratar de um tema tão sensível como o planejamento financeiro”, destacou.

Para ele, o potencial de expansão do setor ainda é enorme. “O potencial do nosso mercado é inesgotável. A oportunidade está toda aí.”
Devido ao sucesso da primeira edição, a organização anunciou que o Congresso Minha Vida Protegida terá nova edição em 2027, reforçando o objetivo do movimento de ampliar a cultura de proteção financeira no país e fortalecer a atuação consultiva dos profissionais do setor.
Cobertura
A equipe da TV Novo Corretor acompanhou de perto os dois dias de programação do Congresso Minha Vida Protegida. Confira no vídeo abaixo os principais momentos, debates e destaques do evento.


